A síndrome da ação-reação

Atualmente, as pessoas são movidas aos sons dos telefones, buzinas, histeria e discussões. O stress no trabalho, a imersão na tecnologia, a alimentação industrializada em excesso, relacionamentos falidos, enfim nada parece cooperar com a saúde física e mental. Estamos todos vivendo sobrecarregados – à flor da pele. O que será que está acontecendo? Onde está a empatia e a compaixão? Infelizmente, para muitos, demonstrar esses sentimentos parece muitas vezes mostrar uma fragilidade, o que não é verdade.

A sociedade sofre com a síndrome da ação-reação. O reagir é instantâneo, genuíno, porém impiedoso. A falta de paciência somada ao egocentrismo e a competitividade subestima toda prática educativa que recebemos de nossos pais. O mundo é outro e nós também. Se alguém grita, você grita mais alto. Se alguém dramatiza, você dramatiza ainda mais. Se alguém te machuca, vai sofrer em dobro. O reagir fere, machuca, faz sangrar o coração. Por que será que não pensamos antes de “agir”?

O físico Newton já dizia: “A toda ação sempre há uma reação de mesma intensidade e direção, porém sentidos opostos”. Mas enquanto seres humanos por que reagimos com a mesma moeda? Os gatilhos emocionais desenvolvem uma falta de controle emocional. 

O autocontrole é a chave para um melhor relacionamento com o próximo. O controle emocional deriva da capacidade de compreender melhor seus sentimentos e emoções a fim de conseguir agir de forma mais calculada e assertiva (e não simplesmente reagir), o autocontrole e a consciência espiritual impedem os impulsos, os pensamentos ou as influências negativas.

Uma pessoa com controle emocional consegue agir de forma razoável mesmo depois de um acontecimento indesejado ou inesperado. Eu mesma – Mariana – tenho uma história recente para contar. Em março deste ano, quando eu cheguei ao aeroporto percebi que meu celular não estava na bolsa. “Será que fui roubada ou esqueci em casa ou caiu no banco do táxi?” Acabei perdendo o meu voo, meus contatos, minhas reservas de viagem (eu estava viajando a trabalho o que é ainda pior), enfim parecia um caos. Poderia até ter surtado, ter perdido o controle, porém não deixei a frustração nem a angústia tomar conta ou interferir na minha produtividade e nos meus resultados. Preferi esperar voltar para casa para conferir se o celular estava lá (e estava), enquanto isso, eu mantive a calma, participei de uma assembleia, firmei novos projetos e ministrei uma palestra. Você pode até duvidar… mas é verdade. Eu consegui administrar meus sentimentos. 

Manter o controle emocional faz com que a pessoa seja menos explosiva, estressada, conseguindo ter mais tranquilidade, organização e produtividade. Reflete diretamente na tomada de decisões, fazendo-a agir com consciência e cautela. Tomar decisões de “cabeça quente” com o domínio dos sentimentos negativos – como a raiva – nunca é uma coisa boa. Na maioria das vezes, o que é feito ou dito nesses momentos não é a escolha mais adequada e isso acaba gerando frustração e vergonha. Não se sinta a única pessoa a estar desequilibrada e em constante batalha pelo o que você queria ser e pelo o que você é. 

E se o outro estiver no auge do descontrole emocional? Essas situações são corriqueiras e podem ser listadas facilmente. Quando seu filho se joga no chão para fazer birra. Quando seu parceiro descontou toda a frustação em você. Quando seu chefe te desencorajou numa reunião. De fato, não é fácil lidar com essas situações. Por isso você deve respirar e exercer a compaixão. Coloque-se no lugar desta pessoa. Apenas dê um espaço, mostre-se amoroso e esteja disponível. 

Mariana Gambine – Educadora Parental certificada pela Positive Discipline Association, membro da PDA EUA e PDA Brasil, Psicopedagoga Clínica e Institucional. 

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